Proporcionar aos estudantes da licenciatura em Enfermagem a "oportunidade de conhecerem, na primeira pessoa, os desafios associados à vivência e à gestão quotidiana de uma doença crónica" é o objetivo de uma aula aberta, amanhã à tarde, pelas 17h00, no Polo A da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC) – freguesia de Santo António dos Olivais, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Eduardo Nunes, que vive com espondilite anquilosante (doença reumática crónica, inflamatória, dolorosa e progressiva que afeta coluna vertebral e articulações), e Andreia Lima, que desde os 23
anos de idade tem uma ileostomia (abertura criada através de cirurgia para desviar o fluxo do intestino delgado), são os convidados que os estudantes da ESEUC vão entrevistar.
"Pretende-se que os estudantes possam explorar não apenas a experiência da doença, mas também as estratégias desenvolvidas para a sua gestão quotidiana, as dificuldades encontradas, os recursos mobilizados e a relação estabelecida com os profissionais e serviços de saúde", explicam os professores Andréa Marques e Pedro Sousa, responsáveis por esta iniciativa, no âmbito da disciplina de opção “Gestão do Regime Terapêutico com a Pessoa em Situação Crónica”, cadeira do 4º ano do curso de licenciatura em Enfermagem da ESEUC.
Segundo o comunicado estima-se que, cerca de quatro em cada dez portugueses tenha doenças crónicas (como doenças cardiovasculares, cancro, diabetes e doenças respiratórias), às quais estão associadas aproximadamente 85% das mortes no país.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), "42,3% das pessoas com 16 ou mais anos referiram ter doença crónica ou problema de saúde prolongado em 2024, mais 10,2 pontos percentuais do que em 2004". Também segundo o INE, "esta condição afetava mais os idosos (68,1%) e as mulheres (45,9%)", sendo que "resultados obtidos ao nível da UE-27 relativos a 2023 indicam que Portugal era o terceiro país com a maior proporção de pessoas com doença crónica".
Segundo a análise “Doença crónica: inevitabilidade demográfica ou mudança estrutural?”, concluída em abril de 2026 pela Nova School of Business and Economics, (enquadrada na Iniciativa para a Equidade Social, em parceria com a Fundação “la Caixa” e o BPI) "entre 2017 e 2025, a percentagem de doentes crónicos em Portugal continental passou de 28% para 36% e a de doentes com multimorbilidade, presença de duas ou mais doenças crónicas no mesmo individuo, aumentou 10 pontos percentuais, atingindo 19%".
A doença crónica está a crescer em Portugal, sendo que este aumento resulta sobretudo do agravamento da carga de doença dentro dos próprios grupos etários (71%) e não apenas do envelhecimento populacional, afirmam no comunicado.
