A “Arte de Construções de Pedra Seca na Serra do Caramulo” acaba de ser inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), em regime de salvaguarda urgente. A classificação foi publicada esta terça-feira, 13 de outubro, em Diário da República (DR) por proposta do Departamento de Bens Culturais do Património Cultural, I. P, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A inscrição resulta de um trabalho liderado pelo Município de Tondela a que se juntaram também os concelhos vizinhos de Vouzela, Oliveira de Frades, Mortágua e Águeda, cuja área territorial é também abrangida pela Serra do Caramulo.
O anúncio publicado em DR salienta que a inscrição (INPCI) destaca “a importância da Arte de Construções de Pedra Seca enquanto reflexo da identidade das comunidades da Serra do Caramulo, grupos e indivíduos que a praticam; a relevância da sua dimensão histórica, social e cultural na área territorial em que se insere; e a necessidade de proteção e promoção dos contextos de transmissão de saberes e conhecimentos implicados, que apresentam, atualmente, elevados riscos e ameaças à sua continuidade”.
O mesmo documento realça ainda “a urgência no desenvolvimento de medidas de salvaguarda que garantam a viabilidade futura da arte em apreço, assim como a capacitação e valorização das comunidades, grupos e indivíduos associados; e a articulação desta prática com as exigências de desenvolvimento sustentável no território e respeito pelos direitos, liberdades e garantias de todos os envolvidos”.
“Temos construções de pedra seca em muitos locais, em muros, que delimitam pequenas parcelas agrícolas, palheiros e espigueiros e até mesmo em casas nos centros das nossas aldeias. Vemos a pedra seca ainda nos caleiros e levadas que levam água a muitas terras na Serra do Caramulo. A pedra seca é uma marca identitária do território”, refere, acrescentando que agora há que trabalhar “não só na salvaguardar deste saber ancestral, como na reabilitação da arquitetura regenerativa e na sustentabilidade do território e da paisagem”.
Agora que foi conseguida a inscrição no INPCI, o próximo passo é avançar com a inclusão das Construções de Pedra Seca do Caramulo na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, que foi classificada em 2018 e que na altura juntou Chipre, Croácia, Eslovênia, Espanha, França, Grécia, Itália e Suíça.
A ideia passa por requerer junto destes oito países, a inclusão das construções de pedra seca do Caramulo neste consórcio europeu.
Esta arte é a terceira manifestação do concelho tondelense a ser inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
A primeira classificação a ser conseguida foi a da Festa das Cruzes do Guardão em janeiro de 2025. Três meses mais tarde, em abril, foi inscrito na lista do Património Cultural Imaterial nacional o “Processo de Produção do Barro Negro de Molelos”.
“Estas três inscrições comprovam o esforço e empenho que o executivo municipal tem adotado no sentido de salvaguardarmos e promovermos dentro de portas e além fronteiras as nossas tradições e manifestações culturais mais genuínas e que são parte integrante do ADN de Tondela”, remata Carla Antunes Borges.