Estudantes levaram livros à concentração convocada esta quarta-feira, dia 14 de outubro, na sequência da entrada de uma comitiva do partido Chega nos estúdios da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) . A AAC já apresentou queixa e exige esclarecimentos a André Ventura.
A Associação Académica de Coimbra (AAC) reuniu estudantes esta quarta-feira numa concentração de protesto contra a entrada de uma comitiva de militantes e apoiantes do Chega nos estúdios da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), na segunda-feira, dia 12 de outubro, que levou à interrupção de um debate político em direto. Os estudantes levaram livros para assinalar a defesa da liberdade de imprensa e de expressão.
Em declarações à Central Press, o presidente da AAC, José Carlos Machado, responsabilizou as deputadas à Assembleia da República Rita Matias e Madalena Cordeiro pela entrada do grupo e pediu um esclarecimento público ao presidente do partido, André Ventura.
"Aquilo que queremos com esta concentração é que, de facto, André Ventura nos clarifique se afinal é conivente com estas ações, se de facto concorda com este tipo de atuações e se isto se irá repetir no futuro", afirmou, manifestando preocupação com a possibilidade de situações semelhantes envolverem outros órgãos de comunicação social.

Segundo a AAC, a comitiva entrou no edifício-sede pelas 9h30 de segunda-feira e dirigiu-se aos estúdios da RUC, onde decorria um debate político entre juventudes partidárias. Os acontecimentos prolongaram-se durante cerca de uma hora e envolveram, segundo a associação, momentos de tensão e entradas nos estúdios e nos gabinetes da Direção-Geral.
A AAC refere que o Chega tinha sido convidado a participar remotamente no programa, mas recusou o convite e informou que não estaria presente. A entrada do grupo interrompeu a emissão e motivou a chamada da Polícia de Segurança Pública (PSP).
A Iniciativa Liberal Coimbra, que participava no debate, condenou a entrada nas instalações sem autorização e a interrupção da emissão, manifestando solidariedade com a RUC e os seus colaboradores. Também o LIVRE condenou o sucedido, referindo que o grupo integrava cerca de duas dezenas de apoiantes do Chega e que os participantes no debate, entre os quais o deputado municipal Bruno Pedrosa, acabaram por abandonar as instalações.
Ambos os partidos defenderam o respeito pela liberdade de informação, pela autonomia associativa e pelo pluralismo democrático, considerando que as divergências políticas devem ser resolvidas através do debate público.
A AAC já apresentou queixa na sequência do episódio. José Carlos Machado considera que os factos devem ser analisados pelas autoridades competentes, a quem cabe apurar eventuais responsabilidades. "Agora é remeter para as instâncias de direito que deverão, naturalmente, pronunciar-se sobre esta questão, tendo todos os factos em sua posse", afirmou à Central Press.
A direção da associação acompanha os desenvolvimentos e aguarda uma reação pública de André Ventura. Caso não se verifique, irá reunir para avaliar os próximos passos. A concentração pretendeu, segundo o presidente da AAC, mobilizar os estudantes e a sociedade civil para a defesa da liberdade de imprensa e da segurança dos profissionais da comunicação social.
Paralelamente, a AAC reafirma a defesa do acesso universal e gratuito ao Ensino Superior e da qualidade do ensino, mantendo a oposição à possibilidade de descongelamento das propinas.
Até à elaboração deste artigo, não foi incluída uma reação do Chega ou de André Ventura às acusações.
