O espetáculo "Nos tempos de Gungunhana", do artista moçambicano Klemente Tsamba, estreia a 23 de outubro, às 21h30, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), em Coimbra, no âmbito da Bienal Afro-Portugal 2026, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Criado e interpretado por Klemente Tsamba, o solo teatral inspira-se em Ualalapi, obra do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, e cruza teatro, música e dança a partir da tradição oral dos contadores de histórias africanas.
A narrativa acompanha Umbangana Namani, um guerreiro da tribo Tsonga que, para garantir o nascimento do filho, é desafiado a contar histórias de heroísmo durante os nove meses de gestação da mulher. Para cumprir essa condição, recorre a episódios associados à ascensão ao poder de Gungunhana, figura histórica do sul de Moçambique no século XIX, conhecido como o "Leão de Gaza".
Em palco, Tsamba interpreta várias personagens numa apresentação que combina histórias, provérbios, música e movimento, explorando a relação entre memória, tradição e criação contemporânea.
A programação inclui ainda a oficina Balele-Balele, dirigida a pais e filhos, marcada para 24 de outubro, às 11h00, na Sala Brincante da Cena Lusófona. Destinada a famílias com crianças a partir dos seis anos, a atividade propõe o contacto com jogos tradicionais de tabuleiro africanos, através de momentos de movimento, ritmo e narração de histórias. Os participantes vão também construir e personalizar um tabuleiro para levar para casa. A participação tem um custo de 10 euros por um adulto e uma criança.
Natural de Malhangalene, em Maputo, Klemente Tsamba é ator, músico e artista plástico. O seu percurso integra as artes performativas, a dança urbana e o teatro comunitário. É também diretor da Chamadarte Associação Sócio Cultural, dedicada a projetos de inclusão através das artes.
A terceira edição da Bienal Afro-Portugal decorre em Coimbra ao longo de três semanas, envolvendo quatro entidades produtoras e diferentes espaços culturais e comerciais da cidade. Sob o lema "Mundos em Movimento", a iniciativa cruza teatro, música, literatura e formação académica, com enfoque nas identidades africanas e afrodescendentes, na memória e nas narrativas coloniais.
A edição de 2026 inclui também uma residência artística destinada a jovens afrodescendentes, numa aposta na participação de novas gerações na criação cultural.