A nova Comissão Política Concelhia do Partido Socialista (PS) de Almeida, liderada por João Silvestre Alexandre Fabião, tomou posse com o compromisso de preparar uma alternativa política para o concelho. Patrícia Cabral assume a vice-presidência da estrutura e Carlos Rodrigues o cargo de secretário. Sob o lema "Inovar com o Futuro!", a nova direção definiu quatro eixos de atuação, com destaque para a proximidade à população, a cooperação transfronteiriça e a preparação do próximo ciclo autárquico.
Na cerimónia, João Alexandre criticou os mais de 30 anos de governação do PSD na autarquia, considerando que Almeida perdeu oportunidades de desenvolvimento face a outros territórios da região. "Almeida assistiu passivamente às dinâmicas da Região, ficámos para trás", afirmou.
O novo presidente da concelhia apontou a falta de estratégia e de visão de futuro como fatores que, na sua perspetiva, condicionam o desenvolvimento do município. Entre as principais preocupações identificadas estão a falta de oportunidades de emprego e as dificuldades de fixação dos jovens.
"Se hoje perguntarmos a um jovem se quer continuar a viver no nosso concelho, certamente responderá que sim, mas logo a seguir nos responde que não pode porque não tem trabalho", declarou à Central Press.
Para responder a estes desafios, o PS Almeida pretende elaborar uma "Agenda para a Década", que sirva de base à preparação do próximo ciclo autárquico e à definição de propostas para o desenvolvimento do concelho.
João Alexandre adiantou ainda que a estrutura pretende recuperar medidas apresentadas pelo partido no anterior processo eleitoral, nomeadamente a atribuição de bolsas de estudo a todos os estudantes do ensino superior e a disponibilização de refeições escolares gratuitas a todas as crianças do concelho. Segundo o dirigente, ambas as propostas continuam atuais e deverão voltar a ser apresentadas ao executivo municipal, com o objetivo de serem aprovadas e implementadas.
A nova Comissão Política Concelhia definiu quatro eixos estratégicos para orientar a sua ação: coesão e proximidade, cooperação transfronteiriça, preparação do próximo ciclo autárquico e comunicação direta com os cidadãos.
No âmbito da proximidade, a estrutura pretende reforçar a ligação à população e capacitar os autarcas para responderem às necessidades das respetivas freguesias. A cooperação transfronteiriça passa pelo aprofundamento das relações com o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), procurando desenvolver agendas conjuntas para os desafios específicos dos territórios de fronteira.
A concelhia quer também renovar os canais de contacto com os cidadãos, estando prevista a criação de comunidades no WhatsApp para facilitar a auscultação da população e a partilha de preocupações e propostas.
"Precisamos de uma concelhia viva, dinâmica e próxima", afirmou João Alexandre, que apelou à participação de militantes e simpatizantes na atividade política local. "A partir de hoje, a porta da nossa concelhia está aberta", declarou.
A deputada socialista eleita pelo distrito da Guarda Aida Carvalho, que marcou presença na tomada de posse, destacou a importância das estruturas locais na ligação entre o partido e as populações. Na sua perspetiva, a proximidade permite conhecer diretamente os problemas de cada território e transmitir essas preocupações às estruturas nacionais.
"Se tivermos uma estrutura local forte, temos de certeza uma estrutura nacional forte", afirmou à Central Press, manifestando confiança no trabalho da nova liderança do PS em Almeida.
A habitação foi outro dos temas abordados pela deputada, que defendeu o aumento da oferta pública de casas como uma das medidas necessárias para responder às dificuldades de acesso ao mercado habitacional.
Aida Carvalho considerou que o problema afeta tanto os grandes centros urbanos como os territórios do Interior e alertou para as dificuldades sentidas pelos jovens e pelos trabalhadores, mesmo quando os agregados familiares dispõem de dois salários.
"Hoje quem trabalha e tem dois ordenados não é suficiente para pagar uma renda de casa", afirmou.
A deputada criticou ainda as opções do atual Governo nesta matéria, nomeadamente a redução de impostos para os senhorios, defendendo que a habitação deve ser tratada como uma prioridade nacional. Aida Carvalho questionou também a adequação dos valores médios de renda considerados pelo Governo à realidade de territórios como Almeida.
Alexandre Lote, presidente da Federação Distrital do PS da Guarda, destacou a necessidade de o partido representar as preocupações e as ambições das populações dos diferentes concelhos do distrito.
O dirigente apontou como objetivo criar condições para que o PS alcance resultados eleitorais favoráveis nas próximas eleições legislativas e autárquicas, defendendo uma atuação assente na escuta das populações e na apresentação de propostas.
Alexandre Lote sublinhou ainda a importância de uma "oposição pela positiva", centrada na identificação dos problemas e na procura de soluções para os territórios.
Sobre a nova liderança em Almeida, considerou que João Alexandre conhece as dificuldades do concelho e tem capacidade para envolver pessoas em torno de um projeto comum.
Por sua vez, Tânia Martinho, presidente cessante da concelhia, destacou a persistência do PS no município e a importância da continuidade da participação política, apesar das dificuldades sentidas ao longo do percurso partidário.
"A nossa missão é cada vez mais importante", afirmou, acrescentando que "a democracia é mais importante do que determinadas alturas menos boas nesta caminhada".
A nova Comissão Política Concelhia do PS Almeida inicia, assim, o mandato com o objetivo de reforçar a presença do partido no território, aprofundar a ligação à população e preparar propostas para o próximo ciclo autárquico.
