O Mosteiro de Santa Maria de Seiça, na Figueira da Foz, tem patente ao público, até 30 de novembro, o resultado da segunda edição do Programa de Residências Artísticas, que reuniu três criadores em torno da memória, do património e das comunidades do território, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Os trabalhos foram apresentados publicamente a 17 de outubro, numa sessão que contou com a presença dos artistas Andrea Inocêncio, na área das artes visuais, Andreia C. Faria, na escrita, e Luís Bittencourt, na música e arte sonora. Estiveram também presentes a vereadora da Cultura, Cláudia Rocha, representantes da Junta de Freguesia do Paião e outros participantes.
Realizada em agosto, a residência permitiu aos artistas desenvolver projetos a partir da história do monumento e da relação com o território envolvente. Os processos criativos cruzaram diferentes linguagens artísticas e envolveram elementos da comunidade, incluindo um alfaiate e um mestre carpinteiro de barcas de arroz, explorando referências à alfaiataria tradicional e à memória da indústria arrozeira.
Entre os trabalhos apresentados está Cohabitare, de Andrea Inocêncio, uma instalação que aborda a relação entre o mosteiro e as cegonhas que encontraram naquele espaço um habitat. Já Celestian Ricenances, de Luís Bittencourt, assume a forma de uma instalação performativa que utiliza pedra, metal, arroz e água como elementos sonoros.
A residência deu também origem ao livro Notas para uma Noite de Estreia. Sobre alguns dias de residência em Seiça, de Andreia C. Faria. Publicada pela Divisão de Monumentos Históricos do Município da Figueira da Foz, em edição limitada e de oferta gratuita, a obra inaugura a coleção Cadernos Residenciais, que deverá prosseguir em futuras edições do programa.
Na sessão de apresentação, moderada por Sónia Pinto, chefe da Divisão de Monumentos Históricos, foi destacado o cruzamento entre literatura, artes visuais e paisagens sonoras, bem como a importância da experimentação artística e do diálogo com o território.
Integrado na estratégia municipal de valorização cultural do monumento, classificado como Monumento Nacional, o programa procura afirmar o Mosteiro de Santa Maria de Seiça como espaço de criação contemporânea e de encontro entre património, artistas e comunidade.
As instalações Cohabitare e Celestian Ricenances, assim como o livro de Andreia C. Faria, podem ser conhecidos no mosteiro até 30 de novembro de 2026.