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Góis debate causas da pobreza e defende respostas sociais articuladas

Redação Central Press/
22/10/2026, 10h25
/
4 min
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza @CM Góis
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza @CM Góis

O Município de Góis assinalou o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a 20 de outubro, com uma Mostra Social na Casa da Cultura de Góis, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press. 

A iniciativa reuniu entidades sociais, representantes de instituições nacionais e membros da comunidade para debater as desigualdades, divulgar respostas de apoio e refletir sobre formas de prevenir a pobreza e a exclusão social.

Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, destacou a importância da cooperação entre instituições para responder às necessidades da população, sublinhando que a intervenção social exige um trabalho contínuo e articulado. O autarca chamou também a atenção para as dificuldades económicas que afetam diferentes grupos sociais, incluindo famílias da classe média, e para situações de vulnerabilidade que nem sempre são visíveis.

A dispersão geográfica do concelho e o isolamento de algumas pessoas, sobretudo em aldeias com menor população, foram outros dos desafios identificados pelo presidente da autarquia, que valorizou o papel do Município e das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) na prestação de apoio de proximidade.

A mesa-redonda "Erradicação da Pobreza: Desígnio Mundial Inalcançável?" centrou-se nas causas estruturais da pobreza e nas respostas necessárias para combater as desigualdades sociais.

Rui Sampaio defendeu que a pobreza não se limita à insuficiência de rendimentos, refletindo-se também nas dificuldades de acesso à habitação, à saúde, à educação e ao emprego. O autarca salientou ainda o impacto das desigualdades territoriais no acesso a serviços, equipamentos e oportunidades, defendendo políticas de longo prazo que promovam a autonomia, a igualdade de oportunidades e o exercício dos direitos de cidadania.

Moderado por Maria Emília Santos, diretora do Núcleo de Intervenção Social e Inclusão do Centro Distrital de Segurança Social de Coimbra, o debate contou com a participação de Paula Cruz, da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN); João Duarte, da UNICEF Portugal; Carolina Nogueira, do Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas (PLANAPP); Cristina Duarte, professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa; e Nelson Tiago, presidente da Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL).

Entre os temas abordados estiveram a pobreza infantil, as dificuldades de acesso à habitação e a rendimentos suficientes e a vulnerabilidade acrescida das pessoas com deficiência. Os participantes destacaram também a importância de envolver as pessoas que vivem em situação de pobreza na definição das políticas e das respostas sociais que lhes dizem respeito.

A necessidade de estratégias integradas, baseadas em diagnósticos rigorosos e adaptadas às características de cada território, foi outro dos pontos centrais da discussão. A articulação entre instituições, a proximidade às comunidades e a participação das pessoas foram apontadas como fatores relevantes para melhorar a eficácia da intervenção social.

Ao longo do dia, a Mostra Social apresentou projetos, recursos e respostas das entidades participantes. O programa incluiu ainda a atuação do Grupo de Cantares de Cortes, a apresentação do grupo «Contradições», da ARCIL, e a realização de workshops práticos e temáticos.

No balanço da iniciativa, Rui Sampaio defendeu que a reflexão sobre a pobreza deve traduzir-se em medidas concretas. «As coisas não podem ficar só pela conversa, só por aquilo que se diz», afirmou o autarca, sublinhando a necessidade de adequar as respostas às necessidades identificadas.

A iniciativa procurou reforçar a ligação entre as instituições e a comunidade e valorizar o trabalho desenvolvido no concelho, num contexto em que o combate à pobreza e à exclusão social exige continuidade e cooperação entre diferentes entidades.

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