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Mobilização em Coimbra exige respostas para a crise habitacional

Carolina Barata/
24/10/2026, 19h14
/
4 min
Mobilização “Não dá mais para viver” @Carolina Barata Central Press
Mobilização “Não dá mais para viver” @Carolina Barata Central Press

A mobilização “Não dá mais para viver” reuniu este sábado, em Coimbra, participantes contra as dificuldades de acesso à habitação. A concentração, que continua na Praça 8 de Maio, contestou a proposta de alteração legislativa relativa aos despejos e defendeu medidas para travar a especulação imobiliária e garantir o acesso a casas a preços comportáveis. 

Rebeca Moore, uma das dinamizadoras da iniciativa, apontou como principal objetivo “derrotar esta lei dos despejos”, que considera poder agravar a precariedade habitacional. Segundo a dinamizadora, as alterações em preparação poderão facilitar os despejos e permitir a exigência de cauções sem limite definido, dando como exemplo um pedido de 10 mil euros.

Rebeca Moore, uma das dinamizadoras desta mobilização @Carolina Barata Central Press

“Tal como nós conseguimos derrotar o pacote laboral, a pressão popular, as manifestações, as pessoas na rua precisam de ter este alvo”, afirmou à Central Press, defendendo a continuidade da mobilização contra as medidas previstas.

A dinamizadora considera que as dificuldades de acesso à habitação são transversais e têm expressão em Coimbra, nomeadamente entre os estudantes deslocados e as respetivas famílias. De acordo com Rebeca Moore, o preço de um quarto pode ultrapassar os 300 euros, a que acrescem despesas com propinas, alimentação e outras necessidades.

A situação estende-se também às repúblicas estudantis, que a ativista considera constituírem “um património importantíssimo da cidade”. Como exemplos, referiu a República Baco e a República das Marias do Loureiro, que, segundo as suas declarações, enfrentam situações de despejo por parte da Universidade de Coimbra.

Rebeca Moore apontou ainda os preços praticados no mercado de arrendamento, referindo que apartamentos T1 e T2 em Coimbra podem atingir valores entre os 700 e os 900 euros mensais. Na sua perspetiva, estes montantes tornam o acesso à habitação incomportável para pessoas que recebem o salário mínimo nacional ou rendimentos próximos desse valor.

A dinamizadora defendeu que o problema não resulta da falta de casas, mas da forma como o mercado imobiliário é gerido. Na sua avaliação, a concentração de imóveis nas mãos de fundos imobiliários e a manutenção de habitações fechadas contribuem para as dificuldades de acesso. Entre as medidas que considera necessárias está a criação de mecanismos de limitação das rendas, incluindo a nível municipal, para combater a especulação imobiliária.

A concentração de Coimbra decorre em simultâneo com outras mobilizações em Portugal e Espanha, segundo Rebeca Moore. A iniciativa pretende alargar a participação popular e consolidar um movimento de defesa do direito à habitação.

“Vão surgir mais ações de luta, mais mobilização, mais pressão”, afirmou, anunciando uma nova jornada de protesto, marcada para 14 de novembro, às 15h00, sob o lema “Casa para viver”. Segundo a dinamizadora, a manifestação terá início do outro lado da Ponte de Santa Clara, em Coimbra.

Rebeca Moore rejeitou ainda a associação da crise habitacional à imigração ou à violência, atribuindo as dificuldades sobretudo às opções legislativas, à especulação imobiliária e aos interesses económicos associados à propriedade de habitações.

A mobilização “Não dá mais para viver” insere-se, assim, num conjunto de protestos que reivindicam alterações nas políticas de habitação, com destaque para a proteção dos inquilinos, a contenção dos preços do arrendamento e o combate à especulação imobiliária.

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