Um estudo coordenado pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) identificou um aumento de cerca de 26% nos níveis de um marcador de stress cardíaco no sangue do cordão umbilical de recém-nascidos cujas mães apresentavam excesso de peso ou obesidade antes da gravidez. Os resultados foram observados na investigação que analisou gravidezes com e sem diabetes gestacional, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A investigação incidiu sobre 82 recém-nascidos e analisou a presença da molécula NT-proBNP, um marcador associado ao stress cardíaco, no sangue do cordão umbilical. Os investigadores cruzaram os resultados com características metabólicas, hormonais e inflamatórias das mães e dos bebés.
Segundo a equipa, os níveis mais elevados deste marcador foram identificados nos casos em que as mães apresentavam excesso de peso ou obesidade antes da gravidez. Os investigadores encontraram ainda associações entre a NT-proBNP e o índice de massa corporal e a glicemia materna, o peso da placenta e a secreção de insulina fetal. Foi também identificada uma relação inversa com os níveis de cortisol no sangue fetal.
O trabalho procura compreender de que forma o ambiente metabólico materno pode influenciar o desenvolvimento fetal e a resposta do coração do bebé ainda antes do nascimento.
"Tentámos avaliar se a diabetes gestacional deixa sinais mensuráveis de stress cardíaco no bebé antes do nascimento, influenciando a sua saúde cardiovascular futura, e como o ambiente metabólico materno pode comunicar com o coração do bebé antes mesmo de ele nascer", explica Carolina Tocantins, investigadora e doutoranda do CNC-UC, cujo trabalho de doutoramento esteve na origem do estudo.
Susana Pereira, investigadora que coordenou a investigação no CNC-UC, salienta a relação encontrada entre o marcador cardíaco e diferentes indicadores maternos e fetais.
Os investigadores sublinham, contudo, que os resultados não permitem utilizar atualmente a NT-proBNP para prever se uma criança irá desenvolver doença cardiovascular. A identificação deste marcador constitui uma possibilidade para futuras investigações sobre a deteção precoce de sinais de vulnerabilidade e o desenvolvimento de estratégias de prevenção mais personalizadas.
A investigação foi realizada em colaboração com a Universidade Médica de Graz, na Áustria, e a Universidade NOVA de Lisboa, contando com financiamento do Fundo Austríaco para a Ciência, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do programa Horizonte Europa, através do projeto PAS GRAS, dedicado à redução dos riscos metabólicos e ao estudo dos fatores associados à obesidade em crianças, adolescentes e jovens adultos.
