A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) condenou o que considera ter sido um uso desproporcional da força policial perante uma manifestação pacífica e exigiu o apuramento de responsabilidades, incluindo de natureza política, pelas decisões que determinaram a intervenção, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
Num comunicado, a estrutura sindical criticou também o silêncio do primeiro-ministro e do Presidente da República, considerando que a situação exige esclarecimentos por parte dos responsáveis políticos.
A FENPROF voltou ainda a alertar para as dificuldades no acesso à habitação em Portugal, com particular incidência nos jovens. Segundo a federação, os preços praticados no mercado imobiliário estão a comprometer a autonomia, os projetos de vida e a possibilidade de constituir família de uma parte significativa desta população.
A organização considera que a habitação, enquanto direito constitucional e condição para uma vida digna, não pode continuar condicionada pela especulação imobiliária e pela lógica do lucro. Defende, por isso, o reforço das políticas públicas e do investimento em habitação, que considera insuficiente face às necessidades existentes.
A federação associa a contestação social em torno da habitação à defesa dos direitos de manifestação e de participação democrática, sustentando que a resposta policial não deve limitar a expressão da indignação perante problemas sociais.
No mesmo comunicado, a FENPROF manifesta solidariedade com as pessoas que reivindicam habitação digna e a preços acessíveis e reclama medidas concretas para responder à crise habitacional.