A Comissão de Estatística da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a International Classification of Dying Places (ICP), uma classificação internacional de locais de morte desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC), de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
A ferramenta passa a integrar a Família de Classificações Internacionais da ONU e pretende melhorar a recolha e a comparação de dados sobre os locais onde as pessoas recebem cuidados no fim de vida e acabam por morrer.
A classificação foi criada no âmbito do projeto EOLinPLACE – Escolha de onde morremos: uma reforma da classificação para discernir a diversidade nos percursos individuais de fim de vida, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação. A ONU considera que a ferramenta poderá contribuir para melhorar a informação disponível sobre saúde e cuidados de saúde a nível mundial.
A aprovação incentiva os países a adotarem a ICP nos registos clínicos e de mortalidade, permitindo uniformizar critérios, comparar dados entre diferentes sistemas de saúde e produzir estatísticas globais. O objetivo é apoiar decisões e políticas públicas que contribuam para melhorar os cuidados prestados às pessoas na fase final da vida.
Desenvolvida ao longo de quatro anos, a classificação resulta de estudos sobre os locais onde as pessoas recebem cuidados e as suas preferências quanto ao lugar onde gostariam de ser acompanhadas e morrer. A investigação envolveu instituições de Portugal, Países Baixos, Estados Unidos e Uganda, bem como representantes de doentes e cuidadores, familiares e profissionais.
A iniciativa foi concebida por Bárbara Gomes, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia, com base em mais de duas décadas de investigação na área dos cuidados paliativos.
Segundo a investigadora, os registos existentes são frequentemente incompletos e inconsistentes, limitando as comparações internacionais à distinção entre morte em casa e em hospitais. A nova classificação procura ultrapassar essa limitação, incluindo também os diferentes locais onde são prestados cuidados durante o fim de vida.
A ICP organiza os locais de morte em cinco grandes categorias: habitação ou domicílio; instituições de saúde e outras estruturas de cuidados; outras instalações, como hotéis, escolas e recintos desportivos; veículos, distinguindo ambulâncias de outros meios de transporte; e espaços exteriores, como a via pública, o mar ou a floresta. Cada categoria inclui subdivisões mais detalhadas, estando também prevista a possibilidade de identificar locais não contemplados ou situações em que o local é desconhecido.
Bárbara Gomes considera que a recolha rigorosa destes dados permite avaliar até que ponto os sistemas de saúde conseguem respeitar as preferências das pessoas, tendo em conta os cuidados necessários e os recursos disponíveis. A investigadora defende que a informação poderá apoiar políticas públicas nas áreas da saúde e do apoio social, em particular nos cuidados paliativos, mas também em situações de crise humanitária.
A International Classification of Dying Places está disponível para consulta no repositório digital da Universidade de Coimbra.
