A Câmara Municipal de Coimbra vai desenvolver uma experiência digital que permitirá recuperar a ligação histórica entre o antigo refeitório do Mosteiro de Santa Cruz, atualmente integrado na Sala da Cidade, e a “Última Ceia” de Hodart, conjunto escultórico do século XVI que se encontra no Museu Nacional de Machado de Castro. O projeto “Refeitório Vivo: Santa Cruz — Entre o Lugar e a Obra” recebeu um apoio de 43.410,75 euros do programa ProMuseus, de acordo com nota de imprensa enviada à Central Press.
O contrato-programa foi formalizado a 4 de novembro, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. A intervenção representa um investimento total de 72.759,42 euros, dos quais 29.348,67 euros são assegurados pelo Município de Coimbra. O prazo de execução previsto é de 12 meses, numa parceria entre o Museu Municipal de Coimbra e o Museu Nacional de Machado de Castro.
A iniciativa pretende aproximar os dois espaços museológicos através de núcleos interpretativos digitais complementares. Na Sala da Cidade, os visitantes poderão recorrer a ferramentas de realidade aumentada, tablets e um ecrã tátil para explorar uma reconstituição tridimensional do antigo refeitório, da copa e da cozinha do Mosteiro de Santa Cruz.
A experiência permitirá conhecer a organização dos espaços, as vivências quotidianas e os hábitos alimentares dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Será também apresentada uma reconstituição da antiga capela nascente, atualmente emparedada, para contextualizar a disposição original do conjunto escultórico de Hodart.
No Museu Nacional de Machado de Castro, junto à “Última Ceia”, um segundo núcleo digital dará a conhecer o contexto para o qual a obra foi concebida, as suas características e o percurso de conservação e restauro.
O projeto conta com a colaboração de dois centros de investigação da Universidade de Coimbra. O Centro de Estudos Sociais, através do projeto SANTACRUZ, disponibiliza reconstituições tridimensionais da obra e da capela do antigo refeitório. Já o Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, através do projeto europeu CONVIVIUM, contribui com modelos digitais dos espaços monásticos e investigação sobre o património alimentar e as práticas de convivialidade.
A empresa Weplan ficará responsável pelo desenvolvimento gráfico, produção audiovisual e integração dos conteúdos no ambiente digital.
A acessibilidade é também uma componente da intervenção. Os conteúdos vão incluir audiodescrição, legendagem em português, inglês e espanhol, interpretação em Língua Gestual Portuguesa e em Língua Gestual Internacional.
Além de recuperar a relação histórica entre a obra e o espaço para o qual foi concebida, o “Refeitório Vivo” pretende incentivar a circulação de visitantes entre os dois museus, reforçando a ligação cultural entre a Baixa e a Alta de Coimbra.