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Matança do Porco do Pai em Coimbra

C-Vita Central Press/
16/02/2025, 20h44
/
5 min
A Matança do Porco do Pai ©Estelle Valente
A Matança do Porco do Pai ©Estelle Valente

Esta semana, a Ritual de Domingo vai estar na Oficina Municipal do Teatro (OMT) com um programa que inclui uma oficina e o seu mais recente espetáculo. “A Matança do Porco do Pai” é uma criação original de Sónia Barbosa que explora as dinâmicas familiares e os complexos rituais de poder e violência enraizados na vida quotidiana. Sobe ao palco da OMT para sessão única no dia 21 de fevereiro (sexta-feira) às 21h30.

A peça centra-se numa família que vive à sombra de um pai opressor, numa narrativa que se foca na figura do porco como simbolismo das relações de submissão e da violência latente no núcleo familiar. O texto foi escrito partindo de uma pesquisa e várias entrevistas sobre a tradição da matança do porco, associada às hierarquias de poder e autoridade dentro da família, aos rituais comunitários onde a violência tem um papel importante, e ao choque geracional e cultural vivido nos últimos 30 a 40 anos.

“A Matança do Porco do Pai” procura criar um ambiente metafórico onde várias coisas – muitas vezes contraditórias – ressoam como parte da nossa experiência humana. Como revela Sónia Barbosa, a matança é ao mesmo tempo “violência e celebração; modo de sobrevivência, mas também prática de alguma forma questionável; faz-nos refletir sobre a importância da vida comunitária e a falta que ela nos pode fazer; evoca um tempo onde muitas coisas nos pareciam melhores, mas que tantas outras eram seguramente piores”. A criadora, encenadora e intérprete do espetáculo adianta ainda que num “tempo de transição, de mudança de paradigma, onde os nossos modos de vida têm cada vez menos pontos de contacto com aqueles dos nossos Avós, refletir sobre isto é tentar religar fios entre o passado e o futuro, com a convicção de que esquecermos de onde viemos nunca nos ajudou a decidir melhor para onde iremos.” O espetáculo é uma súmula de todas estas diferentes ideias e reflexões, pretendendo assim contar-nos uma história sobre nós mesmos.

No âmbito desta apresentação, Sónia Barbosa vai ainda dirigir uma oficina de criação e escrita teatral onde propõe uma abordagem ligada ao trabalho criativo na sala de ensaios, em que as cenas escritas surgem de improvisações feitas com os participantes, partindo de materiais recolhidos (entrevistas, relatos, registos fotográficos, etc.) e de situações cénicas propostas.

O workshop tem um custo de 10€ (geral) / 8€ (estudante) e vai decorrer na OMT, a 19 de fevereiro, entre as 18h e as 21h.
As inscrições estão abertas até ao final do dia 17 de fevereiro através do formulário disponível em tinyurl.com/OficinaSBarbosa

“A Matança do Porco do Pai” tem uma duração aproximada de 100 minutos e está indicado para maiores de 16 anos. Os bilhetes estão disponíveis na OMT

A Matança do Porco do Pai ©Estelle Valente
A Matança do Porco do Pai ©Estelle Valente

Sónia Barbosa é atriz, encenadora, dramaturga e docente, licenciada em Estudos Teatrais/Interpretação na ESMAE do Porto, em 1999. Em 2020 conclui Doutoramento em Estudos de Teatro na Fac. Letras Univ. Lisboa, com o "Projeto Karamázov".
É Artista Associada do Teatro Viriato entre 2011 e 2022. Em 2016 funda a Associação Artística Ritual de Domingo, que dirige em parceria com Cristóvão Cunha, que ocupa o espaço Círculo de Criação Contemporânea de Viseu (ex Incubadora do Centro Histórico), com o apoio do Município de Viseu.

Desde 2018 coordena em colaboração com o Teatro Viriato o projeto Noite Fora – leituras e conversas sobre teatro. O seu texto “Ivan ou a Dúvida” a partir de F. Dostoiévski foi publicado na Cartografia da Dramaturgia Portuguesa – Peças Curtas (editora Húmus, 2021) e a sua “Trilogia Karamázov” a partir de F. Dostoiévski foi publicada na coleção 12catorze (editora Húmus, 2022).

Como atriz trabalha em Portugal e em Itália (onde viveu entre 2002 e 2009) sob a direção de Pierre Voltz, Nuno Cardoso, Graeme Pulleyn, Rafaela Santos, Joana Craveiro, Marta Pazos, Fortunato Cerlino, Cristina Pezzoli, Madalena Victorino, Rogério de Carvalho, Nuno Nunes, Gonçalo Amorim, Alex Cassal, entre outros.
É responsável pelas encenações de “Pinóquio” a partir de Carlo Collodi, (Companhia Paulo Ribeiro/Teatro Viriato – 2010), “ÁrvoreSer” a partir de Ítalo Calvino (Teatro Viriato – 2012), “Babel” de Letizia Russo (Propositário Azul – 2013), “Dentro” a partir de A. Tchékhov (Jardins Efémeros - 2014), “Ivan ou a Dúvida”, “Dmitri ou o Pecado” e “Aleksei ou a Fé” a partir de F. Dostoiévski (Ritual de Domingo/Teatro Viriato – 2017, 2019, 2021), “O Meu Amor Virá de Comboio” (Ritual de Domingo – 2019), “A Gaivota” de A. Tchékhov (Ritual de Domingo – 2022), “Cenas Conjugais” (Ritual de Domingo – 2023), “A Matança do Porco do Pai” (Ritual de Domingo – 2024) entre outros.

Em 2022 leciona a UC de Encenação no curso de Teatro da ESAD-CR. Desde 2013 é docente na área do teatro na ESEV/IPV.

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