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Investigadores protestam contra a precariedade na produção científica

Carolina Barata/
13/12/2024, 14h04
/
5 min
Manifestação dos investigadores da UC @Central Press
Manifestação dos investigadores da UC @Central Press

Os investigadores da Universidade de Coimbra (UC) reuniram-se hoje, dia 13 de dezembro, pelas 11h00, em frente à Porta Férrea, numa manifestação organizada contra a precariedade na produção científica, sob o mote "A UC é para investigadores?".

O protesto, organizado por um movimento espontâneo e apartidário dinamizado por um grupo de investigadores da UC, assinalou a falta de soluções e de estratégias apresentada pela instituição para fazer face à precariedade que afeta cerca de 270 dos seus investigadores, que se encontram numa situação laboral instável e sem perspetivas de integração, de acordo com amostra de realizada pela organização do protesto.

O movimento apresenta uma amostra de 25% (n=67) dos cerca de 270 investigadores da UC, que responderam a um formulário sobre a sua atividade profissional na UC. De acordo com os dados, enviados à Central Press, cerca de 70 investigadores, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, enfrentarão o desemprego depois de anos de dedicação à universidade.

Romeu Francisco é investigador da UC, e vai enfrentar o desemprego já a partir de 20 de dezembro. Romeu faz investigação em microbiologia, e em declarações à Central Press destacou que "o contrato enquanto docente na UC termina em dezembro, e não há perspetivas de renovação para dar continuidade às funções".

O investigador ao longo do seu percurso na UC foi realizando o seu trabalho de produção científica através de bolsas de investigação, e um contrato da FCT. Atualmente, Romeu esperava "integrar um concurso para investigadores na mesma situação, mas isso não aconteceu", até porque, como referiu à Central Press, "os concursos abrem gota a gota, e muitos não são da área científica dos investigadores, e por isso, "não tem perspetiva de ficar".

Romeu Francisco referiu ainda à Central Press que a precariedade tem afetado "muito" a sua produção científica porque, "nos últimos meses concentra-se em realizar currículos e a enviar os mesmos para financiar o próprio salário".

Segundo o movimento, a média de anos em situação precária na UC é de 10,99 anos, com contribuição docente de 2031 horas não remuneradas no ano letivo 2023-2024. A amostra refere que nos últimos cinco anos, estes/as investigadores/as realizaram, 387 orientações de estágio, 366 orientações de mestrado, 145 orientações de doutoramento (concluídas e em curso).

Diana Ribeiro da Silva, investigadora da UC e membro do movimento, em declarações à Central Press realçou que o protesto também se iniciou devido "ao não pagamento das horas, porque como investigadores temos o direito de escolher dar até três horas do serviço de docente de forma voluntária, e isso inclui as orientações, o que representa um grande volume de trabalho, o que acaba por alimentar o problema da precariedade".

O comunicado enviado pelo movimento à Central Press refere ainda que 0 financiamento obtido como investigadores responsáveis e corresponsáveis através de projetos de referência (FCT, Marie Curie, ERC, H2020, entre outros) foi de  8,6 milhões de euros, com overheads para a UC superiores a 1,7 milhões de euros (dados que apresentam como informais).

O movimento afirma ainda que apesar da contribuição essencial dos investigadores para o funcionamento e a excelência académica da UC, o resultado insatisfatório da instituição no concurso FCT-Tenure, aliado à falta de medidas concretas para resolver a precariedade, agrava o problema e ameaça o futuro de dezenas de profissionais altamente qualificados.

Diana Ribeiro da Silva, investigadora da UC e membro do movimento, em declarações à Central Press realçou os resultados do FCT-Tenure em Coimbra que considera " ficarem abaixo das expectativas, sendo que a percentagem de lugares alocados é também baixa, cerca de 63 lugares, e 12 para o centro de estudos sociais, que é uma unidade à parte, o que não corresponde às necessidades dos investigadores".

A investigadora referiu ainda à Central Press que "apesar de o movimento integrar apenas investigadores da UC, isto é um problema nacional", e por isso, apelou a que "outras universidades se juntem ao movimento, para que haja um debate nacional que aborde a precariedade na ciência".

Diana Silva confirmou à Central Press que estão a pensar fazer uma segunda reunião com a reitoria da instituição em janeiro de 2025, e pretendem "dialogar com a reitoria, para que fiquem do lado dos investigadores, e levar esta questão ao plano nacional".

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