O Camões - Centro Cultural Português em Luanda acolhe, no dia 11 de dezembro, às 17h30, o lançamento da antologia de prosa “Construir Amanhã com Barro de Dentro - Vozes do Pós-Independência”, uma coletânea que reúne 19 contos de autores provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). A obra, que celebra simultaneamente o cinquentenário das independências, propõe uma leitura contemporânea das narrativas, inquietações e perspectivas que atravessam as novas gerações literárias angolana, cabo-verdiana, guineense, moçambicana e são-tomense.
A antologia foi organizada pelos escritores e jornalistas Eduardo Quive, de Moçambique, e Israel Campos, de Angola, dois nomes que têm contribuído ativamente para a renovação literária no espaço lusófono. Eduardo Quive fundou e dirigiu durante vários anos a plataforma Literatas, um dos projetos mais relevantes na promoção da literatura moçambicana e africana, destacando-se ainda como poeta, contista e dinamizador cultural. Israel Campos, jornalista e autor angolano, tem-se afirmado pela versatilidade com que cruza literatura, reportagem e observação social, sendo presença constante em debates sobre media, juventude e construção de identidades no pós-guerra angolano.
A apresentação fica a cargo de Adriano Mixinge, escritor e reputado crítico de arte, cuja análise tem marcado o pensamento cultural angolano e internacional.
O lançamento decorre no Camões - Centro Cultural Português, localizado na Avenida de Portugal, em Luanda, um espaço que há décadas desempenha um papel central na circulação de ideias, na formação artística e na promoção do diálogo cultural entre Angola e os restantes países lusófonos. O centro tem sido palco de encontros literários, exposições e programas educativos que aproximam comunidades, promovem o multilinguismo e reforçam a presença da literatura de expressão portuguesa no contexto africano.
“Construir Amanhã com Barro de Dentro” representa, para Angola, um marco no reforço do seu papel enquanto polo de criação e reflexão literária no continente.
Ao receber autores de diferentes latitudes dos PALOP, o Centro Cultural e Angola recolocam-se no centro da conversa sobre memória, identidade e futuro, valorizando o contributo das novas vozes que interpretam os desafios contemporâneos das sociedades africanas.
Para a comunidade lusófona, a obra simboliza uma oportunidade de renovação e de encontro: um testemunho coletivo que evidencia a vitalidade da língua portuguesa enquanto instrumento de criação, partilha e construção de mundos.
O evento tem entrada gratuita e promete reunir escritores, leitores, académicos e representantes do setor cultural, num final de tarde dedicado à literatura que se escreve, se pensa e se reinventa a partir de África.

